VILA REAL É MONTRA DA BIODIVERSIDADE EM PORTUGAL

forum bio Vila Real é um exemplo no país do ponto de vista da conservação da biodiversidade. Com cerca de metade do território integrado no sistema nacional de áreas classificadas e com um dos maiores jardins botânicos da Europa, o município tem vindo a desenvolver, em conjunto com diversas entidades públicas e privadas, um ambicioso programa de conservação da biodiversidade que concilia a preservação com o envolvimento da população e o desenvolvimento local.
“Quanto mais conhecemos, mais amamos”. A frase de Leonardo da Vinci ganha um especial sentido no território de Vila Real, que tem apostado forte na preservação e monitorização da biodiversidade, no desenvolvimento de campanhas de sensibilização e de informação sobre o valioso património natural do concelho e no envolvimento da população local. Desde 2010, a Câmara Municipal de Vila Real, em conjunto com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e outros parceiros, desenvolve o Programa de Preservação da Biodiversidade, que se tem afirmado como um exemplo a nível nacional, desde logo pelo envolvimento que tem gerado junto dos cidadãos.

O tema da biodiversidade ganha especial pertinência num município como Vila Real que, devido à sua localização e condições naturais, acolhe uma invulgar variedade e variabilidade de espécies e habitats com interesse conservacionista. São os casos, por exemplo, do trevo de 4 folhas, da toupeira-da-água, da gralha-de-bico-vermelho, do morcego-rato-pequeno e do morcego-de-ferradura-grande, da salamandra lusitânica e da rã-de-focinho-pontiagudo, do lobo-ibérico, da libélula Oxygastra curtisi (uma das poucas ocorrências conhecidas) e da borboleta azul.
Acresce que mais de 40 por cento do território de Vila Real está integrado no sistema nacional de áreas classificadas, nomeadamente na rede nacional de áreas protegidas (Parque Natural do Alvão) e na Rede Natura 2000 (Sítio Alvão/Marão) - considerando também as zonas classificadas em reserva ecológica e reserva agrícola nacional, bem como as bacias hidrográficas - a área do território com usos condicionados atinge os 80 por cento.
A tudo isto soma-se ainda o papel da UTAD na investigação científica e produção de conhecimento em áreas como a biodiversidade e a conservação da natureza, bem como a existência, no campus universitário, de um dos maiores jardins botânicos da Europa e o maior de Portugal. Com 160 hectares, este jardim é um importante centro de investigação e de proteção da flora autóctone, sendo especializado na flora do ocidente da Península Ibérica. Ostenta quase mil espécies vivas originárias de todo o mundo, um centro de interpretação e acolhimento e um banco de germoplasma conservado com quase 20 mil espécies.
Por último, Vila Real tem também um dos mais belos parques verdes urbanos, ao longo do rio Corgo, com 67 hectares, onde se vai situar o Centro de Ciência Viva, que acolherá uma exposição permanente sobre o património natural de Vila Real.
Foram estes os argumentos que motivaram a autarquia de Vila Real a lançar o programa de preservação da biodiversidade e a criar projetos que estimulem novos rumos de apoio ao desenvolvimento rural. “A preservação da biodiversidade é uma aposta importantíssima para Vila Real e assume um papel decisivo no desenvolvimento local”, sublinhou hoje Miguel Esteves, vereador com o pelouro do Ambiente na Câmara de Vila Real.
O Programa de Preservação da Biodiversidade corresponde ao investimento total de 1,7 milhões de euros. Conta com o apoio financeiro do Programa Operacional Regional do Norte (ON 2) e apresenta quatro áreas de atuação estratégica:
• monitorização do território, para identificação, inventariação e georreferenciação do património biológico do concelho;
• medidas de gestão do território, de forma a diminuir ou eliminar os riscos de desaparecimento das espécies e da perda da biodiversidade;
• atividades de sensibilização da sociedade civil, dedicadas a todos os públicos, com a sua participação na gestão do território, onde se incluem diversas ações de voluntariado como as “Rogas dos Rios” e a construção de um muro no Parque Natural do Alvão para proteger os sapos;
• projetos de dinamização em meio rural, que possibilitam o aparecimento de atividades económicas relacionadas com a biodiversidade.
Recentemente, a autarquia de Vila Real adjudicou a construção do Observatório da Biodiversidade, em Quintã (zona da Campeã) e no próximo mês de Julho é inaugurado um conjunto de bio-percursos, ao longo dos quais vai ser possível observar e interpretar parte do património natural do concelho.
Todas estas ações continuam a ser desenvolvidas e têm revelado resultados “muito positivos”, nas palavras de Fontainhas Fernandes, coordenador da UTAD. No próximo mês de Março terá também lugar o Fórum da Biodiversidade, encontro internacional que reunirá em Vila Real especialistas nacionais e internacionais e cujos principais objetivos são dar a conhecer os resultados das ações desenvolvidas no âmbito deste projeto e contribuir para a afirmação do papel decisivo de Vila Real na conservação da biodiversidade em Portugal e na Europa.
Três anos após o lançamento do Programa de Preservação da Biodiversidade, este projeto tem-se afirmado como uma “experiência única” a nível nacional. Desde logo, pelo envolvimento ativo dos cidadãos, o que confere ao projeto um caráter pioneiro de atuação na sociedade. Acrescem as várias parcerias que o programa motiva, ao envolver diversas entidades públicas e privadas, como são os casos do Centro de Conservação das Borboletas de Portugal (TAGIS), da Associação Parques Com Vida (APCV), do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), da QUERCUS e dos Agrupamentos Escolares do Concelho. Com o Programa de Preservação da Biodiversidade, “conseguimos ligar três vetores fundamentais para um mesmo fim: a sociedade, o município e a universidade”, concluiu o vereador Miguel Esteves.